{"id":206,"date":"2013-04-29T00:01:25","date_gmt":"2013-04-29T03:01:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontramaceio.com.br\/noticias\/?p=206"},"modified":"2019-04-15T10:50:25","modified_gmt":"2019-04-15T13:50:25","slug":"cortador-de-cana-deixa-lavoura-para-trabalhar-como-sushiman-em-maceio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontramaceio.com.br\/sobre\/cortador-de-cana-deixa-lavoura-para-trabalhar-como-sushiman-em-maceio\/","title":{"rendered":"Cortador de cana deixa lavoura para trabalhar como sushiman em Macei\u00f3"},"content":{"rendered":"<div class=\"dcb782f0616bca5484400fea6b37e93d\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8585364105181520\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script>\r\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>O per\u00edodo de safra da cana-de-a\u00e7\u00facar na d\u00e9cada de 90, em\u00a0Xex\u00e9u, munic\u00edpio pernambucano, era sempre penoso para o cortador de cana Rog\u00e9rio Crist\u00f3v\u00e3o da Silva e seus 14 irm\u00e3os. Apesar de tirarem o sustento da fam\u00edlia nas lavouras, as lembran\u00e7as da \u00e9poca n\u00e3o eram as melhores. Um fac\u00e3o afiado era a principal ferramenta de trabalho deles, que, sob o sol quente e em meio a poeira e bichos pe\u00e7onhentos, desferiam mais de 10 mil golpes por dia contra a planta que seria mo\u00edda para virar a\u00e7\u00facar ou \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca em que trabalhou na lavoura, desde os 5 at\u00e9 os 18 anos, essa era a \u00fanica serventia do fac\u00e3o para Rog\u00e9rio. O cortador de cana coleciona marcas de ferimentos causados por um erro de c\u00e1lculo no manuseio do objeto. Mal sabia ele que, alguns anos depois, a l\u00e2mina teria uma serventia bem menos bra\u00e7al.<\/p>\n<p>Hoje, aos 30 anos, Silva, a esposa e uma filha do casal moram em uma casa pr\u00f3pria em\u00a0Macei\u00f3, comprada com o dinheiro arrecadado com a nova profiss\u00e3o: sushiman. Sua hist\u00f3ria de vida, diz ele, \u00e9 contada para poucos. E foi em uma dessas conversas informais, entre a prepara\u00e7\u00e3o de um temaki e uma barca de sashimis, que Silva afirmou \u00e0 reportagem\u00a0que n\u00e3o foi nada f\u00e1cil o caminho percorrido da lavoura at\u00e9 sua contrata\u00e7\u00e3o como chef de um <a title=\"Restaurantes em Macei\u00f3\" href=\"http:\/\/www.encontramaceio.com.br\/r\/restaurantes-em-maceio.shtml\" target=\"_blank\">restaurante na cidade de Macei\u00f3<\/a> de comida japonesa em um shopping da capital alagoana.<\/p>\n<p>&#8220;Meu pai era muito ignorante. Quando eu tinha cinco anos ele j\u00e1 me levou para cortar cana. A gente passava o dia na lavoura. Em m\u00e9dia, a gente cortava umas sete toneladas de cana por dia. Isso rendia R$ 30,00. Quando a gente chegava em casa era s\u00f3 o tempo de comer e cair na cama, a exaust\u00e3o e o sofrimento eram grandes. Cheguei a chorar v\u00e1rias vezes no meio das canas\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Rog\u00e9rio afirma que, desde jovem, sabia que essa n\u00e3o era a vida que queria para ele. Chegou a se mudar para\u00a0Mato Grosso do Sulaos 18 anos para tentar ganhar dinheiro em uma colheita de cana, mas ele descreve o per\u00edodo como o pior da sua vida. \u201cO clima era p\u00e9ssimo, seco, muito mais calor do que no <a href=\"http:\/\/www.encontrapernambuco.com.br\" target=\"_blank\">Estado de\u00a0Pernambuco<\/a>. N\u00e3o me adaptei \u00e0 comida, passava mal e depois de sete meses acabei voltando para Xex\u00e9u\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Uma chance para o futuro<\/p>\n<p>Um convite de um amigo para passar uns dias conhecendo a capital alagoana foi o come\u00e7o de toda a mudan\u00e7a na vida do ex-cortador de cana. Maravilhado com as belezas naturais da cidade, Rog\u00e9rio decidiu ficar de vez em Macei\u00f3, casou e come\u00e7ou a trabalhar como ajudante de pedreiro.<\/p>\n<p>\u201cEu fazia todo servi\u00e7o que aparecia. Vivi algum tempo de favor na casa do meu amigo e depois consegui alugar um quartinho. Em um dos servi\u00e7os, me chamaram para ajudar na constru\u00e7\u00e3o de um restaurante de comida japonesa. Foi a primeira vez que ouvi e vi esse tipo de comida. N\u00e3o gostava, mas hoje acho gostosa\u201d, diverte-se ao lembrar da dificuldade em se acostumar com o sabor da culin\u00e1ria japonesa.<\/p>\n<p>Apesar do jeito brejeiro, como ele mesmo se intitula, Silva conseguia conquistar os chefes pelo carisma e iniciativa no trabalho. Quando o restaurante inaugurou, pedi para acompanhar a cozinha. Comecei lavando os pratos, depois descascando os legumes, em seguida j\u00e1 estava fazendo a prepara\u00e7\u00e3o dos alimentos para o sushiman. Eu queria aprender tudo, n\u00e3o negava servi\u00e7o porque esperava ter uma chance\u201d, destaca.<\/p>\n<p>De ajudante de sushiman para comandar a cozinha foi um pulo. Em um dia de necessidade, o ex-cortador de cana come\u00e7ou a preparar os pratos e seu sal\u00e1rio foi acompanhando a promo\u00e7\u00e3o profissional. Ele conta que n\u00e3o fez curso algum. &#8220;Aprendia olhando e muitos sushimans me ajudaram dando dicas&#8221;.<\/p>\n<p>Entre idas e vindas em restaurantes, hoje, Silva \u00e9 o sushiman de um restaurante em um shopping de Macei\u00f3. Continua tendo intimidade com o fac\u00e3o, mas agora cortando filetes de salm\u00e3o, atum e outros tipos de peixe. A clientela aprova as habilidades dele na culin\u00e1ria oriental. \u201cTudo que ele faz \u00e9 delicioso e o diferencial \u00e9 o atendimento, sou muito bem tratada aqui\u201d, afirma a funcion\u00e1ria p\u00fablica Suzy Melo.<\/p>\n<p>Empreendedorismo<\/p>\n<p>H\u00e1 quase 10 anos no mercado, Rog\u00e9rio j\u00e1 come\u00e7a a al\u00e7ar voos solos. Mesmo tendo recebido propostas de outros restaurantes japoneses, Rog\u00e9rio \u00e9 fiel ao chefe, mas complementa sua renda com encomendas em festas particulares.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas que conhecem meu trabalho me contratam para jantares, anivers\u00e1rios e festas. Eu aprendi a calcular a m\u00e3o de obra e material, pre\u00e7o dos peixes, tudo sou eu que levo para a casa do cliente. Meu chefe at\u00e9 me apoia, porque, indiretamente, eu acabo divulgando o restaurante tamb\u00e9m\u201d, contou.<\/p>\n<p>No r\u00e9veillon deste ano, Silva foi contratado com outros cinco sushimans para produzir mais de 60 mil pe\u00e7as de sushi para uma festa particular da cidade. \u201cFoi cansativo, mas, com o dinheiro extra, comprei uma moto e estou investindo nos estudos da minha filha, disse.<\/p>\n<p>Entre pe\u00e7as de sushi com nomes como uramaki, temaki, sunomono entre outras, a surpresa foi quando rog\u00e9rio revelou que \u00e9 analfabeto. \u201cEu decorei o card\u00e1pio, pode perguntar qualquer coisa da\u00ed que eu sei o que \u00e9, mas fora do card\u00e1pio a\u00ed j\u00e1 complica\u201d, disse o sushiman que destacou ainda a vontade de ter um neg\u00f3cio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Procurado pela reportagem,\u00a0o gerente de atendimento do Sebrae, Marcos Alencar, foi informado sobre a situa\u00e7\u00e3o e afirmou que a determina\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o empreendedora do agora sushiman s\u00e3o louv\u00e1veis, mas que n\u00e3o pode parar a\u00ed. \u201c\u00c9 fundamental que ele se alfabetize, pois como ele vai assinar contratos sem saber ler? \u00c9 importante tamb\u00e9m que ele tenha cursos sobre como gerir seus neg\u00f3cios e que ele se capacite, ainda mais em uma culin\u00e1ria onde os consumidores s\u00e3o mais exigentes. Depois ele deve formalizar-se como microempres\u00e1rio\u201d, aconselha Alencar.<\/p>\n<p>Rog\u00e9rio Crist\u00f3v\u00e3o da Silva, o ex-cortador de cana que hoje sustenta a fam\u00edlia com o que ganha trabalhando com a culin\u00e1ria japonesa, brinca que n\u00e3o \u00e9 preciso ser apressado &#8220;para comer cru&#8221;. Ele garante que paci\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas de suas virtudes e afirma que o in\u00edcio dos estudos \u00e9 prioridade na sua vida a partir de agora. \u201cPreciso manter meu neg\u00f3cio e dar um bom exemplo para minha filha&#8221;, diz.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo de safra da cana-de-a\u00e7\u00facar na d\u00e9cada de 90, em\u00a0Xex\u00e9u, munic\u00edpio pernambucano, era sempre penoso para o cortador de cana Rog\u00e9rio Crist\u00f3v\u00e3o da Silva e seus 14 irm\u00e3os. Apesar de tirarem o sustento da fam\u00edlia nas lavouras, as lembran\u00e7as da \u00e9poca n\u00e3o eram as melhores. Um fac\u00e3o afiado era a principal ferramenta de trabalho deles, que, sob o sol quente e em meio a poeira e bichos pe\u00e7onhentos, desferiam mais de 10 mil golpes por dia contra a planta que seria mo\u00edda para virar a\u00e7\u00facar ou \u00e1lcool. 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